sábado, 19 de dezembro de 2015

O início do recomeço


Sabe quando nos deparamos em uma fase da vida que pensamos o seguinte: "...mas enfim, por que é que eu estou aqui mesmo?" 

Acredito que é este o momento crucial de parar pra refletir sobre o real motivo de acordar todos os dias repetindo aqueles mesmos movimentos automáticos, sem ao menos perceber o propósito de tal rotina impregnada a você, talvez imposta por padrões, familiares ou necessários por força maior.  Eu refleti. :)




Pois bem, humanas e humanos. Eu estou viva, eu sobrevivi na selva, no mar, no combate ao fogo, sol de lascar, chuva forte, fraca, vento, "mormaço", jejum, 50ml de água por umas 15hrs, lama, mosquitos, aranhas, mais lama, poças gigantes, escuridão, mais mosquitos, sustos no escuro, pressão psicológica, ouvi choros, vi gente querendo desistir, gente brigando, mancando, chorando denovo, e eu naquele período que só as mulheres sabem como é... vi galinha morrer sem precisar realmente :(  

E aquele espírito de equipe, quase 80 pessoas: um não sabia responder a pergunta? todos pagavam o número x do aluno em flexões, pois lá éramos todos de zero a 77, sem nomes. A corrida não programada/nem mencionada às 6 da manhã, ah, essa foi só pra aquecer e fazer a galera perceber como seria o restante do dia.

Uma experiência única, que me fez valorizar ainda mais toda gotinha de água que eu sempre prezei tanto por ter, tanto quente (ahhhh o banho!!) quanto gelada (gelo, te amo!). O interruptor mágico que acende a luz sem precisar de fogo, ou o controle remoto que liga o ar condicionado. O botão do ventilador. Do fogão. A banana meio estranha lá em cima da mesa! Gente, até aquele bombom ruim que ninguém quer, que fica lá sobrando na caixa de chocolate por semanas.    #vaigordinha





Acredito fielmente que eu nasci pra servir e voar. O sentimento de dever cumprido que pude sentir no final de toda esta etapa foi muito gratificante. De verdade. Eu jamais me imaginei com tanta força e coragem como tive no meio daquele mato. Sempre fiquei feliz em ajudar as pessoas, e nunca havia encontrado uma profissão que me identificasse e que não visse tantos "contras" na balança, e desta vez acertei na escolha. Na sobrevivência eu pude não só ajudar, mas motivar, observar, construir, aprender, destacar e reviver. Poderia citar muito além disso, mas o post ficaria imenso.

Fiz o curso de comissária de voo durante 4 meses - apesar de no diploma constar como 6, pois é descrito desta forma - no período noturno, após o expediente de trabalho, todas as noites das 18:00 às 22:00. Não há quem diga que é fácil, e talvez eu não deveria falar isso, mas acho válido citar devido muitas dúvidas que vejo por aí: comigo tudo simplesmente fluiu como plumas ao vento. Passei: direto no curso, direto na Anac.


E é esse um dos motivos que me fazem crer fielmente que eu já nasci com asas.
- Se sua vida arremeter, confie no Piloto.





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